Residência senhorial associada a uma propriedade agrícola e vinícola, a casa dos Condes de Santar e Magalhães é um bom exemplar de arquitectura civil maneirista onde pontuam também características barrocas e neoclássicas. Localizada no coração da vila de Santar tornou-se, após a destruição dos Paços dos Cunhas, no solar de maior presença e aquele que determinaria a orientação do principal eixo viário da vila.
Apesar de ter sofrido, ao logo dos séculos, inúmeros acrescentos, não é fácil hoje distinguir as várias fases construtivas por ter havido sempre a preocupação em harmonizar os novos volumes com os anteriormente edificados.
O núcleo mais antigo terá sido construído, na viragem do século XVI para o XVII, por vontade de João Gonçalves do Amaral. Mais tarde, e após a instituição do vínculo de Santar, em 1670, o seu filho Francisco Pais do Amaral e sua mulher Francisca Pais do Amaral mandaram levantar uma capela dedicada a S. Francisco. O templo só seria terminado pelo filho de ambos, António Pais do Amaral, em 1678, que aqui se fará sepultar. Será ainda em vida deste último que a casa volta a sofrer uma ampliação com a construção da chamada Cozinha Velha, em 1690.
De planta rectangular, este magnífico espaço tem a graça de preservar no seu interior uma fonte de granito alpendrada com cobertura em cúpula esférica, ornamentada nos ângulos por pináculos e cujo entablamento é suportado por quatro colunas toscanas. Por esta altura foi também levantada no exterior da cozinha uma fonte decorada por azulejos figurativos assinados por Gabriel Del Barco e datados de 1700.
No interior da cozinha encontra-se, ainda, uma chaminé em granito, de grandes proporções e cobertura piramidal. Os pilares que a suportam bem como a respectiva cornija são ornamentados com motivos vegetalistas.
Posteriormente, já no século XVIII é acrescentado à casa um novo corpo longitudinal. Por volta de 1727, Francisco Lucas de Melo, filho do primeiro Francisco Lucas de Melo, dá início à construção das adegas, do Pátio Central e do imponente chafariz conhecido por Fonte dos Cavalos, terminada em 1790. Esta ostenta, ao centro, a pedra de armas da casa sob a qual brota água de uma máscara grotesca para um bebedouro de granito. Posteriormente a fonte viria a ser decorada com painéis de azulejos assinados por Pereira Cão.
Já no século XIX é construída no alçado virado ao jardim uma varanda corrida suportada por colunas toscanas e decorada com figuras de convite, em azulejo representando as Quatro Estações. Do início do século XX é o acrescento de uma galeria fechada também virada ao jardim e os azulejos assinados por Pereira Cão que revestem as paredes do salão.
Quanto à fachada principal, virada à rua é de uma grande sobriedade. A linearidade parietal é apenas quebrada pela existência de dois níveis de janelas de molduras de granito simples e pilastras embutidas, a que correspondem ao nível do telhado pináculos bolbosos. Ao centro da fachada, abre-se o portal encimado por uma porta de sacada com varanda de balaústres, sendo o conjunto coroado por um frontão triangular onde se inscreve a pedra de armas da família.
A separação entre a casa e a rua é feita por um conjunto de peças de granito bojudas ligadas entre si por uma grossa corrente de ferro.