Jardim

Casa dos Condes de Santar e Magalhães

Filho de um rico mercador genovês, Francisco Lucas de Melo terá recebido forte influência italiana durante a infância e juventude. Não será, por isso de estranhar, que em finais do século XVII, após o casamento com a herdeira do vínculo de Santar, Maria Luisa Pais do Amaral, esta propriedade, e à semelhança do que acontecia noutros lados, se tornasse também numa Quinta de Recreio cujos jardins sofreriam forte influência italiana. 

Apesar  das remodelações que sofreram ao longo dos séculos, os jardins da Casa dos Condes de Santar e Magalhães preservam muito do seu espirito inicial e merecem, ainda hoje um cuidado atento.

De forma quase rectangular, o jardim – concebido para ser desfrutado a partir da varanda da casa - estende-se, para nascente, em ligeiro declive, ao longo de cinco patamares terminando junto a um amplo lago. Ruas de buxo, cuja topiária assume diversas formas geométricas, bordejam patamares.

Encostada à casa, uma alameda de limoeiros perfuma o ar e oferece os seus frutos ao consumo interno.

O primeiro patamar é constituído por um parterre de buxos com roseirais que terminam numa alameda de cameleiras, paralela à casa, bordeada de hortenses. É neste primeiro terraço que se abre o portão principal da quinta e onde se encontra um mirante em granito, ponto ideal de observação sobre a propriedade vinhateira que se estende mais abaixo.

No lado oposto, próximo da cozinha velha, marcam presença uma elegante fonte revestida de azulejos, pintados pelo artista espanhol Gabriel del Barco, uma tília de grande porte e um conjunto de nespereiras. O primeiro e o segundo parterre estão decorados, à italiana, com estatuária.

No terceiro e quarto patamar, sempre contornados por buxo, encontramos composições diversas, alguns roseirais, uma pequena horta e vinhedos com as castas da região.

A composição dos quatro patamares está subordinada a um eixo vertical à casa, que divide os parterres em dois espaços quase simétricos, delimitados por um muro com balaustrada, no meio do qual se abre uma escada que dá acesso a um lago rodeado por um bosque de castanheiros da Índia.  

O jardim é, ainda, delimitado por um braço da adega junto ao qual se encontra a antiga Fonte de Cavalos. Um portão de ferro e uma sebe completam a separação do espaço ajardinado do pátio agrícola e do coração da adega.

Gabriel del Barco

Gabriel del Barco, nasceu em 1648 na província de Guadalajara, em Siguenza. A partir de 1666 vai viver para Madrid. Três anos depois, concluída a Guerra da Restauração, vem para Portugal acompanhando o embaixador de Castela. Pouco se sabe da sua actividade como pintor nos primeiros anos que esteve em Portugal. Por documentação da época sabe-se que terá trabalhado, em 1681, nos tectos da igreja de S. Luís dos Franceses. Em 1683, já está inscrito na irmandade de S. Lucas, reservada aos mais eruditos.

É possível que a sua carreira como pintor de azulejos tenha sido tardia, já que os mais antigos que se lhe conhecem datam de 1689 e estão na capela-mor da Igreja do Convento alentejano de Nossa Senhora do Espinheiro, em Évora.

 Da sua vida privada pouco se conhece. Sabe-se que enviuvou por volta de 1701, tendo-se casado novamente pouco depois. Segundo o historiador de arte José Meco, serão dele os azulejos da Igreja matriz do Sardoal, encomenda que não terá completado. Desconhecem-se a data e o lugar da sua morte, podendo esta ter sido em Espanha. Segura, só uma referência de Frei Agostinho de Santa Maria que, em 1707, se lamentava da falta que fazia Gabriel del Barco, o que sugere que o pintor teria morrido ou regressado ao seu país natal.

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